De Mãe para Mãe

por Anna Karina

23 de agosto de 2012

Você se arruma toda, coloca aquele vestido que está no armário desde que soube que estava grávida, passa maquiagem e vai para aquele jantar incrível.

Chega lá achando que vai ter uma noite diferente, com assuntos diferentes, que vai assumir aquele seu outro papel (que já estava cheio de traça) e eis que alguém, sempre tem um alguém, que traz o seu lado mãe para a mesa.

Se não tem nenhum pai ou mãe na mesa, o assunto é “estamos pensando em engravidar, como é a vida de mãe?” .

Se já existem pais ou mães, uma hora ou outra a coisa desanda para o sono, a alimentação, a escola, as frases bonitinhas que os filhos falam, etc.

E pronto.

A intenção de ter uma noite diferente, fingir que vocês estão em outro país, com outra identidade acabou.

Claro que é bom falar sobre filhos, trocar experiências, dificuldades e prazeres.

Mas só isso, 24 horas por dias, não dá.

Porque antes de ser mãe, você já era você.

Já viajou, fez cursos, odiou o chefe, brigou com o namorado, com o marido, viu trocentos filmes, livros e fez novos amigos.

Porque raios agora que virou mãe só sabe falar sobre a maternidade, o cocô, a rotina doméstica, o filho que não dorme, a babá que dorme?

Quero falar sobre o big brother, sobre o sexo na escada, o cara da mesa ao lado, a viagem de NY, o porre de ontem, o livro de cabeceira, a crise do mundo e a de cada um.

Não é porque uma mãe se encontra com outra que o assunto tem que ser só filhos.

Tem hora e lugar pra isso.

Aproveitando, alguém sabe o que aconteceu na novela ontem?

 

Anna Karina é mãe do Theo e do Arthur.

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CATEGORIAS: Neurose de Mãe, Sem categoria
POSTADO POR: Lu Musa
Um Tapinha Não Dói

20 de agosto de 2012

Grito, bronca, castigo, tapinha.

Ajoelhar no nível da criança, usar um livro ilustrativo, contar uma historia.

Se jogar no chão junto com a criança, ignorar, fazer promessa pro anjo da guarda.

Cantinho do pensamento, negociação, táctica do “good cop/bad cop”….

Acho bonito a gente pesquisar, ler, pensar, e discutir sobre o assunto: qual a melhor maneira de reagir aos ataques e xiliques que CERTAMENTE meu filho vai dar em algum momento da vida?

Com 18 meses ou 18 anos – não tem jeito ninguém escapa.

Quando meus filhos eram bebezinhos, eu falava de boca cheia que jamais bateria nos meus filhos. Uma ignorância! Um exagero! Falta de comunicação, na certa.

Mas a real é que por mais que a gente analise e se prepare; assista a tutoriais e a louca da Super Nanny, a gente simplesmente não sabe como vai reagir na hora H.

Sério. Não sabe mesmo.

Mas é tão fácil  teorizar sobre isso quando você não tá chegando em casa depois de um looooongo dia de trabalho, e dá de cara com anjinhos-bebês transformados em mini-Chucks testando sua paciência ao limite.

Dependendo da situação um grito resolve.

Dependendo da hora, ainda dá para respirar fundo e arriscar um psicologês.

Em outras, uma ameaça no pé da orelha do indivíduo é mais eficaz.

E em alguns momentos….putz….quando eles realmente nos tiram do sério, nem culpa aparece depois de um tapa bem dado no traseirinho.

Veja bem, LONGE de mim fazer apologia a violência.
Estamos falando aqui daquele tapinha breve porém certeiro no traseirinho; que mais assusta do que dói.

Em um mundo cada dia mais cheio de overthinking, politicamente-correto e apologia a felicidade eterna, nada como exercitar a humanidade sendo mãe assim – na prática. ;)

 

Luciana Musa é mãe da Clara (7) e do João (5)

**mais sobre tapinhas e castigos

 

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A fase dos “por quês”

por Anna Karina

13 de agosto de 2012

Por que ele não dorme, meu Deus?

Por que tem dias que ele fica bonzinho e outros é o cão chupando manga?

Por que na escola ele é um santo e em casa é desse jeito?

Por que depois de uma fase vem sempre outra?

Por que eu não consigo me impor?

Por que a gente tem que falar mais não do que sim?

Por que as crianças nunca são como os livros dizem que elas deveriam ser?

Por que ele sempre dá birra quando você está cercada de pessoas?

Por que as doenças pioram de noite?

Por que ele sempre acorda bem no meio da inalação?

Por que eles acordam bem mais cedo nos finais de semana?

Por que a gente vive cercados de porquês?

 

A Anna Karina é mãe do Theo e do Arthur

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CATEGORIAS: Neurose de Mãe
POSTADO POR: Lu Musa
Carta Aberta

ESPECIAL DIA DOS PAIS

10 de agosto de 2012

Manuela, Olivia e Catarina

Me pediram para escrever um texto sobre o Dia dos Pais.
Geralmente, nesses textos, pais contam como foi incrível, único e transcendental quando seus filhos nasceram.
Eu sou cético… prático demais. Não sei falar dessas coisas.
Então decidi escrever esta carta para vocês e não para os leitores.
Afinal, vocês são a razão deste próximo domingo ser meu dia.
E não vou dar conselhos, nem contar como vocês mudaram minha vida.
Quero só registrar algumas lembranças que tenho da gente.
Deixar no papel, porque o que a gente escreve é mais difícil de esquecer.
Para começar, confesso: eu nunca pensei que teria filhas.
Sempre achei que teria filhos, por algum motivo que só Freud explica (e Freud, vocês vão aprender um dia, é um sujeito com umas ideias bem atrapalhadas sobre pais, mães e filhos).
Quando eu era garoto, me imaginava ensinando meu filho a chutar de trivela, mexer com ferramentas, essas coisas de pai machista.
Não era um sonho, nem um desejo.
Era só uma sensação, isso de que teria filhos.
E olha só o que o destino me aprontou.
Pisquei os olhos e, no quarto ao lado, pipocaram vocês, em pouco mais de três anos, minhas três patetas.
Lembro de coisas que vocês já esqueceram.
Lembro de quando dei o primeiro banho na Manu, ainda na sala de parto, numa banheirinha de aço cirúrgico, antes mesmo de entregar você para sua mãe molhar com lágrimas.
“São tears of joy”, ela disse.
Lembro de ter pensado em como a banheirinha deveria estar gelada e, por isso, protegi seu corpo todo apenas com a palma de uma mão, tão pequena que você era.
Lembro da Olivia na mesa de jantar, numa cadeirinha de balanço. Enquanto eu jantava, ela olhava para mim, com um olhar cativante de meio sorriso, atenta, desde bebê.
“Esse sorriso vai conquistar quem ela quiser” – disse o pediatra em sua primeira consulta.
Lembro de sentar no chão do quarto da Catu, segurando seu dedo através do berço e esperando que ela pegasse no sono.
Lembro dos barulhos ritmados da chupeta de vocês três e de como aprendi que chupeta tem som diferente quando a criança pega no sono.
Lembro do cheiro de pijama quando dormiam com a gente na cama, porque estavam com medo de monstro, de fantasma ou de ladrões.
Lembro das diferenças do choro de cada uma. Choro tem sotaque, aprendi.
Lembro de como demoraram a me descobrir, bem depois do primeiro ano.
É que o amor pela mãe é à primeira vista.
Já o amor pelo pai é uma conquista suave, lenta, mas infalível.
Também, que injustiça. Mamãe conheceu vocês 9 meses antes de mim.
Mas um dia vocês aprenderam que o sujeito barbudo pode ajudar em outras questões.
Pode fazer rir.
Pode arrumar o computador.
Pode ensinar como se bate figurinha, ou ajudar na lição de casa.
Pode até dar beijos e abraços mais ásperos, com outro sabor.
Lembro de vocês tristes porque alguma melhor-amiga-pra-vida-toda, BFF, mudou de escola.
Lembro da alegria incontida nas viagens de férias.
Lembro de uma infinidade de fotos com bolos de aniversário, velas, balões, sempre com vocês atrás, com uma expressão que era um misto de deslumbre e timidez.
Lembro de quando acordei num Motor Home, no meio de uma estrada da Califórnia, e a Manu fazia meu café da manhã, no combinado que fizemos: a viagem de 11 anos só de Pai-e-Filha.
Lembro de um elefante correndo atrás de nós, Oli, no meio da África, em sua viagem de 11 anos.
Com você, Catu, a viagem ainda está por vir. E virá. Para o lugar que você escolher.
Como virão mais e mais memórias, que a gente vai criar juntos, desenrolando a vida como se fosse um tapete. Olhando os desenhos que vão aparecendo com surpresa e alegria.
Obrigado. Que sorte a minha de ter vocês em volta.

Papai.

 

O Neto é publicitário e pai da Manuela, Olívia e Catarina.

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CATEGORIAS: Datas Comemorativas
POSTADO POR: Lu Musa
Rituais do Papai

ESPECIAL DIA DOS PAIS

7 de agosto de 2012

E meu primeiro texto foi reprovado pelo blog.

“Luiz, achei triste. Bem escrito, mas triste”.

Tudo bem. Vou superar a rejeição literária.

Encaro como curadoria de conteúdo. Pronto.

“Bebê Papai”: um clássico. Filha ou filho recém nascido na barriga do pai. Balanço e música é bebê papai “ é bebê papai, é bebê papai…”.

Filho dormindo e o mundo ali entre aquelas duas pessoas parado, feliz.

“O Santo Anjo” : Santo anjo do senhor meu zeloso guardador, se a ti

confiou a piedade Divina sempre me rege, guarde, governe, ilumine. Amém.

Desde cedo aprendi. Desde cedo ensinei.

“Pai, hoje tem jogo do São Paulo?” : quantas vezes lembro eu mesmo de

ter feito esta pergunta, hoje quem é perguntado sou eu.

Vamos ao estádio?

“Pai, canta a música da Ariel que solta pum”?

Antes que alguém critique tem também Garota de Ipanema, Tim Maia e Fabio Jr. no repertório e nas suas versões originais.

“Pedáaaagioooo”: Nome e conceito óbvios – Aqui o Sem Parar é um beijo.

Fácil, rápido, grátis e um dos grandes momentos do meu café da manhã.

“Vamos ver um filme de medo?” :  Ah que delícia. Cama do Pai.

Controle remoto na mão e zapeamos loucamente até achar um filme de

“medo” – que pode ser facilmente um clássico da Disney ou do Batman ou

Homem Aranha ou qualquer coisa que eles não deveriam pelo senso comum

assistir.  Pra eles o filme. Pra mim “embolação”.

“Narizinho. Narizinho. Testa. Testa. Olho. Olho. Olho. Bochecha.

Bochecha” :  mais um jeito de roubar um carinho rápido na economia

de beijos que permeia a relação pai e filho.

Estes são alguns dos meus rituais de Pai da  Clara e do João.

Já contei demais.

Rituais são sagrados. Segredos. Só nossos. De Pai. De filhos.

Do tempo pra  encontrar novos. Cada qual a seu tempo.

 

Luiz Fernando Musa é pai da Clara (7) e do João (5).

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CATEGORIAS: Datas Comemorativas, Sem categoria
POSTADO POR: Lu Musa
Cadê meu energético?

ESPECIAL DIA DOS PAIS

6 de agosto de 2012

Abro os olhos às sete da matina, estico minhas costas rapidamente, levanto correndo e preparo um leite com sucrilhos para um pequeno de sete anos que, já despertou e assiste a TV desde as seis e meia.

Logo em seguida, uma pequena de quatro anos me chama no quarto querendo beijinhos e carinhos. Outro pote de sucrilhos é preparado às pressas.

Ouço tiroteios e gritos vindos da sala. Não, não é o jornal das sete, é algum desenho japonês maluco, desses que irritam adultos e tornam crianças ainda mais valentes e agressivas.

Minha mulher acorda, e o café já está preparado. Adivinha por quem?
Tomo meu banho corrido e saio de casa também correndo sem nem mesmo ter lido um jornal ou ter visto o último tiroteio verídico na tela da TV.

No trabalho, minha chefe pergunta: “Viu o jornal, leu aquela notícia, passou aquele email?”. Com um sorriso amarelo, minto que sim, e corro pra me atualizar. Afinal o mundo hoje é dos que leem, dos que se informam, não é?

Não. O mundo dos pais modernos é um mundo paralelo. Como parar, dar carinho, brincar, jogar bola com os filhos sem deixar alguma coisa que sempre te acompanhou pra trás? Algo adulto, algum programa adulto, como um charuto fumado com calma, depois do almoço demorado, no meio da sala…

Faz sete anos que mergulhei nesse mundo infantil sem virar criança. Além de dividir a educação com minha mulher, que já cuida 100% deles, eu me sinto na obrigação de ajudar 120% quando estou com os meninos.

Afinal, me responda: quem pariu os dois? Não, você respondeu errado. Foram os pais…

Desculpa, mas eu também enjoei, chorei e fiquei acordado fazendo as vezes de despertador enquanto ela amamentava de madrugada. Um milhão de fraldas foram trocadas e muitos banhos foram dados. Sem falar nas broncas. Aliás, essa é a melhor parte.

A propósito, você nunca teve que dar uma no seu filho, depois de um almoço de domingo quando tudo o que você mais queria era deitar meia horinha e tirar um cochilo?

Pois é, amigos! Nesses longos sete anos, não me deixo cansar. Não posso.

Alguém aí tem um energético forte pra me indicar?

Vitor Azambuja é pai do Antonio (7) , da Marina (4) e casado com a nossa querida Bel Duarte.

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Estamos Juntos

por Natasha Louckevitch

31 de julho de 2012

Estamos juntos, marido e eu, há 8 anos. Mas a nossa história não foi simples.

Nos conhecemos eu tinha 23, ele 27.
Ok. Até aqui…

Ele é francês. Desses que moravam em Paris mesmo.
Eu paulista. Dessas que ainda iriam estudar e morar fora.

Ele com raízes profundamente francesas.
Eu profundamente judaicas (culturais – não religiosas).

Eu venho de uma família de empresários.
Ele é filho de pais que estavam nas ruas durante o movimento de 68, além de fazer parte ativa no partido comunista francês.

Deu pra captar o clash cultural, ou quer que eu continue?

Eu não vou entrar nos pormenores da minha sogra ser completamente alucinada (a mulher já chegou a mandar meu marido comprar langerie nova pra mim porque as minhas, pelo que ela notou no varal, eram um lixo. Oi oi oi); e  o fato do meu sogro ainda sonhar que vai ser um mix de  Che Guevara + Mick Jagger (de boina e tudo).

O fato é que, por mais motivos que eles tenham me dado pra ficar puta da vida pra sempre, eles são pais do meu muito querido marido. E eu vejo um pouco deles nele.

E agora, eles (pra piorar) são avós do meu filho. E eu me recuso, a definir pelo meu filho, o peso que isto ira ter em sua constituição humana.

Raízes são pessoais e intransferíveis.

Independente do que EU sinta, (que estranhamente, apesar de tudo, chega a ser afeto) eu acho uma violência tremenda impor algo a meu filho. E é por isso, que eu, APESAR do meu marido, (que chegou a um ponto em que não fala mais com os pais) vou buscar, por mais que me seja desagradável, sempre manter um contato. Mesmo que mínimo.

Um dia, meu filho poderá extrair as coisas boas dos dois, e abrir mão das ruins.

Eu sei que as coisas boas estão lá.

E o principal, que é a educação que eu estou dando ao meu filho, é o que eu mais confio.

Quem sabe ele não ajuda a minha sogra a exercitar o afeto?!
Ou manda ela a merda, sei lá.

Só sei que no meu caso, a esperança vai morrer junto com a sogra. E assim seguimos. Juntos.

Natasha é mãe do fofo Alec de 1 ano e 3 meses, e tem um blog que a gente ama: http://quandoeuvireimae.wordpress.com/

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Babá ou Escola?

por Bel Duarte

23 de julho de 2012
Acho engraçado ver agora com os filhos maiorzinhos como o tempo passa e a duvida permanece: babá ou escola?
“Babá é aquela que estabelece bons relacionamentos e, com seu apego à criança, torna-se uma aliada da família”. Li essa frase no livro “Quem ama Educa” do Içame Tiba e pensei: puxa, que delicia quem encontra uma babá assim!!! Perfeito pra ser uma ajuda, uma companheira, pra dividir até as dúvidas… uma babá bacana é aquela que segue as regras e o padrão educacional da família, sabe se impor com a criança com carinho e amor.
Mas no meu caso colegas, isso não aconteceu.
Na minha casa passaram muuuuitas, de todos os tipos possíveis e imaginárias, e eu pensava: será que é isso mesmo? será que vai ser assim? tem que ter uma solução.
Resolvi ir contra muitooooos conselhos (na época sem facebook e grupo de mães, eu era a única com filhos entre as amigas) e fui ver uma escola quando meu primeiro filho nao tinha ainda um ano.
Fui a muitas escolas, sempre na área onde eu morava. Fiquei sem babá e mantive uma empregada que era péssima porém gostava dele e era muito sorridente e brincalhona. Dei um aumento, comprei mais congelados e não liguei muito pra casa (as vezes suja).
Encontrei a escola que eu queria. Amei de paixão, e apesar dela estar aberta há apenas 2 anos vi que não poderia ser outra. Me identifiquei totalmente e tudo fluiu perfeitamente!! Adaptação fácil, ele passou a comer bem vendo os amigos comerem, e eu finalmente relaxei.
Eu trabalho em casa, então quando ficava doente podia ficar com ele e editar as fotos a noite.
Achei que com a escola ele fosse ficar mais vezes doente – me botaram tanto medo. Mas foi tão mais light! Ele quase não ficou doente, tiramos de letra e foi um periodo maravilhoso. Pra todos nós.
Quando me mudei pro Rio senti uma facada no peito deixando essa escola que tanto amava. Ele entrou com 1 ano, saiu com 3. E eu faria tudo de novo.
Aqui no Rio tentei babá também com a minha segunda filha. Também até um ano. Aqui ainda tem o agravante delas serem extremamente mais folgadas, um absurdo!
Lá foi minha pequena pra escola… e mais uma vez foi ótimooooooooo.
E desde então resolvo assim: tenho umas ex-empregadas que eu adoro e adoram as minhas criancas que topam fazer trabalho de folguista quando eu preciso; nas férias, feriados ou quando viajo a SP. Não tenho uma babá, porém tenho várias na manga pra esses momentos (essa semana vem uma ficar dois dias).
Elas não estão aqui sempre, então quando chegam é novidade pras crianças, e quando saem é uma alegria pra mim, rsrsrs. Dormem se preciso e quando preciso! E se cantarem “segura o tchan” é por pouco tempo, não dá pra eles decorarem!
Tenho uma empregada que vem todos os dias e dorme duas vezes por semana. Nos outros dias somos nós. Eles ajudam a colocar a mesa, tirar, arrumam tudo, conversamos muito, temos a casa só pra gente. E isso não tem preço.
Criamos nossos filhos pra serem independentes. Ficamos muito juntos e nos ajudamos muito. Eles arrumam as camas, guardam as roupas, arrumam os brinquedos… com 4 e 7 anos.
Quando fotografo nos fins de semana meu marido dá conta sozinho. Ele é um super pai e prefere mil vezes fazer tudo e ficar com eles do que ter “um ser de branco” andando pela casa.
Vou muito à pracinha de manhã e vejo umas duas ou três fofas, porém vejo as outras 30 falando mal das crianças, das patroas, pedindo trabalho pra outras mães… muito sem educação. As crianças largadas e com babás que não brincam, fofocam e  não largam o ceclular. Eu olho e me lembro que nessa fase meus filhos estavam na escola – que alivio que me dá!
Escrevi esse post pra quem está na mesma situação que a minha e não sabe o que fazer, ou não tem coragem de colocar na escola. Se você não achou a babá fofa e querida dos sonhos, minha amiga… coloque na escola! Veja se você tem alguem pra ficar eventualmente quando ficarem doentes e de resto, vale cada centavo investido!
Ah! e lembrem-se que as assistentes de sala de aula fazem sempre trabalhos de folguistas. Já usei várias e deu sempre super certo também.
Eles crescem, e cada vez dependem menos delas, e cada vez vai ficando mais fácil. Existe luz no fim do túnel… e ótimas opções sim! Babá definitivamente não é a única, apesar de ser a mais prática e muitas vezes ainda a mais cômodo.
Bel Duarte é mãe do Antonio e da Marina
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CATEGORIAS: Babá, Educação
POSTADO POR: Lu Musa
Comer pra quê?

por Mariana Muniz

17 de julho de 2012

Quem me conhece sabe que meu grande barato é a cozinha. Tenho uma biblioteca com mais de 300 livros de culinária, já fiz cursos em vários países e tenho um blog www.ladob-mari.blogspot.com.br

Então, quando me vi grávida, fui logo fantasiando minha bebê gorducha comendo papinhas gourmets feitas pela mamã. Nada do lugar-comum batata-cenoura-chuchu! Ainda grávida comecei a inventar papinhas como abóbora assada com compota de pêra e fígado, velouté de couve-flor, batata e alho poró…Comprei váaaaarios livros de receitas bacanas para bebês: americanos e franceses, e já queria fazer a edição kids do meu blog (lado B para os adultos e lado Bbzinho para as crianças).

E eis que Helena nasce do alto de seus 2.740g, e nos primeiros meses,movida às peitcholas de mamã, minha bebê ganha pregas e bochechas.

Até que chega o dia.

Torço um pouco o nariz para a receita da pediatra, mas vamos lá: músculo, mandioquinha, cenoura. Abre o bocão… Cospe! Ok. É o primeiro dia.

Frango, batata, abóbora. Cospe!

Tá.
Vai ver que minha filha é uma jet setter e vai se acostumar com o modo americano de se introduzir papinhas. Purê de batata doce. Cospe! De abóbora? Cospe! Talvez um menu francês? Creminho de brócolis com polenguinho. Cospe! As papinhas inventadas por mamã? Cospe! Cospe! Cospe! Suspira… Mamã já tá nervosa. Cospe! À beira de um ataque de nervos. Cospe!

Dra. Pediatra, não tem um remedim? Nope. E assim seguimos por meses: o cospe virou boca cerrada, se esconder, fazer não-não.

Vai ver que ela gosta é de um PF! Arroz, feijão, carne moída. Não-não. Um fettuccini Alfredo do Ráscal? Não-n… Tá bom, esse entra um pouco, vá… Mas nem sorvete, nem chocolate, a criatura gosta! E eu louca, triste e frustrada – e culpada, lógico – sou eu que não sei fazer comida de criança! Eu não sei botar rotina na minha filha… Blá-blá-blá.

Até que um dia um pediatra amigo da família, muito sábio, vira para mim e diz: “Mariana, sua filha não come por um de dois motivos: ou porque já comeu, ou porque ainda vai comer”! Cuma?

É isso mesmo – nenhuma criança se suicida de fome! E eis que caiu a ficha que minha filha era assim e ponto final.

Eu é que devia estar seguindo à risca essa dieta vigilantes do peso feita pela minha bebê!

E numa consulta com o Dr. Google, descobri um livro que me ajudou muito a ficar mais zen em relação a esse assunto. Com o título sugestivo de “Mi niño no me come” (não existe versão brasileira Herbert-Richers), o pediatra espanhol Carlos González trata com uma leveza sem igual o assunto alimentação infantil, mostrando que as crianças não têm idéias pré-concebidas de quanto nem quando comer e que seu caso não é único.

Na primeira parte do livro, “Causas”, o autor mostra que o crescimento se dá por fatores genéticos e não pela quantidade de comida – se fosse assim, se entuchássemos comida num pincher, ele viraria um Bernaise! E mostra que bebês não comem pouco, pelo contrário – crianças comem muito mais que você: se uma criança de 5 Kg toma aproximadamente 750 mL de leite – proporcionalmente, uma mãe de 50-60 Kg deveria tomar então 7-9 litros de leite por dia. Saca?

Enfim um livro escrito para mães desesperadas que morrem de inveja daquelas cujos bebês comem tudo a qualquer hora e em qualquer circunstância.

Ponto alto: faz o assunto parecer fácil e tranquilo.

Ponto baixo: se fosse assim tão fácil e tranquilo…

* A versão original do livro pode ser encomendada em grandes livrarias, como a Livraria Cultura. Já a versão em inglês (My child won’t eat) está esgotada, mas é possível compra-la pelo kindle.

Mariana Muniz é mãe da Helena,  1 ano.

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