Já ouvi muita mãe dizer o quão difícil é para elas, saírem para trabalhar e deixar os filhotes em casa, ou viajar a trabalho, ou até mesmo sair com os maridos sem levar os filhos. Entendo e acho que todos esses sentimentos são naturais e legítimos. Só não concordo que sejam absolutos e, definitivamente, eternos.
Sorry, mas acho hipocrisia dizer que mesmo as mães mais dedicadas que saem para trabalhar não sintam, nem por um momento, um certo prazer em falar de outra coisa que não fraldas e regorgitos. Ou que elas não gostem de vez ou outra, almoçar com pessoas que elas não tem que alimentar fazendo aviãozinho.
Acho hipocrisia dizer que, até as mães mais sofredoras que viajam a trabalho chorando pelos seus pequenos não acham bem gostosinho poder, nem que seja por 2 noites apenas, dormir sem acordar 5 vezes na madrugada; tomar café da manhã sem sujar a própria roupa de requeijão; almoçar sem ter que sair correndo para pegar filho na escola.
Estas mães, abnegadas sofredoras, podem até não confessar; mas deep inside sentem o gostinho delicioso do que é ficar alguns dias sozinha só tendo que se preocupar com o seu próprio estoque de calcinhas limpas, e não de toda uma tropa de crianças.
Aliás, a mãe que viaja “a trabalho” provoca toda uma comoção com este ato heróico que acaba por aparar as piores arestas da situação: você sente menos culpa porque afinal, você está viajando por um sacrifício louvável (seus filhos de certa forma vão se beneficiar desta sua dedicação ao labor mesmo que indiretamente), as crianças parecem entender melhor porque afinal de contas, a mamãe já explicou que trabalhar é importante e precisa trabalhar. E o mais importante: os “outros” tendem a julgar bem menos a mãe que viaja a trabalho (mais uma vez a bonita desculpa do labor salva o dia).
Sempre viajei bastante a trabalho mesmo com as crianças pequenas.
E para arquear ainda mais as sobrancelhas das mães que não conseguem ficar longe dos seus bebês sem um rio de lágrimas, eu preciso confessar: nunca sofri. Sempre deixei meus bebês em boas mãos (mais especificamente nas maravilhosas mãos do pai) e sempre pensei que, se estou longe e não tem nada a ser feito, melhor não sofrer e aproveitar o lugar em que estou.
Ainda neste mood “ser mãe e ainda ter vida própria”, no ano passado inaugurei uma importante “tradição” lá em casa: mamãe vai viajar sozinha, sem filhos e sem marido, por 1 semana, 1 vez por ano.
E guess what? Não é a trabalho. É para tirar férias mesmo.
E que delícia que é poder passar uma tarde inteira em uma papelaria sem me preocupar com mais nada além de envelopes, ou ficar um dia inteiro andando dentro de um museu sem parar para comer, ou passar a manhã inteira enrolando na cama sem hora para acordar!
Resultado: anualmente me lembro que além de mãe ainda sou gente, volto cheia de saudades da família, com muitos beijos para o marido, e com uma reserva extra de paciência e brinquedos para as crianças.
Tome coragem e experimente para ver se não é verdade.









Patricia Fuzzo
21 de setembro de 2011 , 9:08 AM
Excelente , já vou programar a minha semana anual. Família se preparem…..
Adalberto
21 de setembro de 2011 , 9:28 AM
Gostei, as mulheres de hoje são mais resolvidas com isso, são mães e executivas ao mesmo tempo, afinal são escolhas da vida e quem está perto tem de saber conviver. Pensem como seria se a escolha fosse diferente como exclusivas donas de casa, lavar e passar, limpar a casa,cuidar do almoço, do jantar, nada contra, mas jogar fora anos de estudos e a carreira, para ficar grudados nos filhos, não faz nenhum sentido.
Outra coisa, sentir saudades aumenta a vontade de ver, de abraçar e beijar e é importante para os pequenos apreenderem a conviver sozinhos, afinal é preparo para a vida adulta.
natalia
21 de setembro de 2011 , 10:17 AM
mto bom, lu!
acabei de chegar, passei 2 semaninhas fora, com o maridao, sem filho, em 1 ano e 10 meses de maternidade. foi mto bom! logico, senti falta, lembrei da rotina, etc., mas, como vc. bem colocou, e importante para recarregarmos as energias!
besos
Lu Musa
21 de setembro de 2011 , 8:41 PM
que delicia nat!!!!
Giuliana
22 de setembro de 2011 , 9:13 PM
Lu,
Eu nao sou mãe mas adorei o texto!
Me identifiquei pq acho pessima essa hipocrisia, vc vira mãe e perde os direitos de ser vc?
Minha mãe sempre viajou a trab e tb de ferias e eu sempre achei um máximo. Estava em boas mãos, é o q conta!
Todo mundo merece uma semaninha para si ao menos né? Ou qdo dá, um ano todo!
Adorei!!!
Beijos,
Lu Musa
24 de setembro de 2011 , 11:59 AM
Giu!!! Que saudades! Adoro ver suas fotos no FB! Claramente você esta aproveitando MUITO sua volta ao mundo! rsrsrs muitos beijos!
andreia
2 de fevereiro de 2012 , 4:07 PM
Sua história foi muito importante para mim. Consegui um trabalho em outro estado e preciso ficar fora de casa tres dias por semana e estava sofrendo muito com isso,me sentindo uma péssima mãe por deixar minha filha pequena e ir trabalhar em outra cidade. Consigo agora perceber que não sou egoísta nem negligente, sou mulher, trabalhadora, sonhadora que precisa também se realizar profissionalmente.
Lu Musa
3 de fevereiro de 2012 , 3:58 PM
que bom que fez sentido para você também andreia!
um beijo grande! lu musa