O poder da noite mal dormida

por Natasha Louckevitch

2 de junho de 2013

shoot

Ontem a noite, meu filho de 2 anos, que esta com amigdalite, acorda resmungando pela 5ª vez.

Como eu fui as outras 4 vezes, e tenho ido todas as noites além de estar gravida de 8 meses e trabalhar em um ritmo alucinado, cutuquei o marido pra fazer a função.  Já viu aonde vai parar este texto? Não? Então pega a pipoca e acompanha:

-       Amor, o baby esta chamando.

-       Hmmmm. Tô dormindo.

Espero um segundo porque eu sei que esta é só uma resposta reflexo. TEM QUE SER!

Marido levanta e vai até o quarto do baby que continua resmungando de dor.

Rapidamente, o que era um resmungo, vira choro em 700 milhões de decibéis.
Sou obrigada a levantar pra ver o que esta acontecendo.

Percebo que, com marido e filho ainda meio dormindo e no escuro, meu marido segura a chupeta chamando o nome do nosso filho de forma enérgica enquanto o baby se debate.

Vejo que meu marido esta segurando na outra mão, o frasco de Cepacaina que estamos passando na chupeta, pra aliviar um pouco a garganta do rebento.

Já entendi que ele conseguiu acertar a Cepacaina no teto, na parede, na porta, no gato, no vizinho, na China, MENOS na chupeta e boca do baby.

Me sento ao lado do baby tentando acalma-lo, e ao passar a mão no rostinho (ainda no escuro), percebo que ele esta inteiro melado. Pergunto ao marido:

-       Caiu no olho?

(Não com o intuito de achar um culpado, mas apenas para saber se meu filho ficaria cego por Cepacaina se eu não acendesse a luz e acordasse todo mundo pra limpar)

Ao que meu marido responde puto:

-       Eu fui colocar a chupeta nele e ele fica se debatendo!

Claro! Que idiota minha pergunta!
Óbvio que a culpa é da criatura de dois anos, dormindo e doente que se debateu.

Ajoelhar no milho hoje sem falta!

De calça, que é pra não piorar a amidalite e eu poder dormir!

DEUS: DAI-ME SACO!

AMEM!

355 9 4 1 6 0
Queridos filhos,

Nosso Post do Dia das Mães

6 de maio de 2013

Vocês já me ensinaram tanta coisa.

E não, não é aquele chavão do “me ensinaram o verdadeiro amor” e blá blá blá.
Isso é default de mãe, nem conta.

Tô falando de vocês dois, Clara e João.

Vocês já me ensinaram que mesmo zumbi a gente sobrevive dormindo de quatro em quatro horas. Que em viagens de carro, axé é  ritmo que faz os meus bebês pegarem no sono (judge me). Que eu consigo trocar uma fralda, pegar uma chupeta com o o pé esquerdo e contar uma historinha – tudo ao mesmo tempo. Me ensinaram a segurar minha ansiedade e ver vocês indo para a casa dos amiguinhos, sozinhos. Que um agarrinho antes de dormir é o melhor remédio anti-pesadelo. Vocês me ensinaram que eu não posso socar o amiguinho da escola que te trata mal no recreio. Me ensinaram que eu não precisava stalkear o acampamento da escola  porque vocês já sabem o que é certo e errado.Que eu tenho que ser pelo menos educada com a mãe da amiguinha que você adora. Vocês me ensinaram que quando eu tô triste, uma guerra de travesseiros resolve – sempre.

Vocês me ensinaram que falar a real sobre o que eu estou vivendo e sentindo é, por mais dura que a verdade seja, a melhor coisa que eu posso fazer. Porque, no final das contas…vocês já sabiam. Vocês sempre sacam, não é mesmo?

Vocês estão me ensinando o quão legal é ver vocês crescerem e virarem simplesmente pessoinhas LEGAIS. Gente que eu me orgulho e que quero ter por perto. E tô achando que esse negócio de ser mãe é sobre isso: ver se a gente consegue ajudar vocês a se tornarem pessoas legais.

O tal do “resultado” se você é ou não uma boa mãe é tão simples e difícil quanto isso.

E o que eu posso dar de volta para vocês?

Além de toda aquela historia sobre o “verdadeiro amor” e tal, e muitos beijos e cosquinhas no suvaco; eu quero, acima de tudo, poder também continuar me transformando na pessoa que EU acho que VOCÊS teriam orgulho e gostariam de estar perto. Assim, uma pessoa LEGAL. Que nem vocês.

Amar vocês sem cobrar. Rezar para vocês, sem criar expectativas. Confiar em vocês, dando a liberdade que vocês merecem. Fazer lembranças hoje, que vão ficar pra sempre nas suas vidas.

Enfim, ser uma mãe perfeita.

E como sei que isso vai ser impossível, fica aqui a minha promessa de tentar chegar o mais perto disso que eu puder. E olha, vou contar pra vocês: não é pouco.

Então capricha no meu presente de Dia das Mães que eu mereço.

Amo vocês.

Luciana Musa é mãe da Clara (8) e do João (6)

281 1 1 0 1 0
Não tá fácil pra ninguém

por Adriana Baralle

4 de fevereiro de 2013

Episódio 1: Que espécie de mãe sou eu?

Um dia fui colocar minha filha na cama. Era uma quarta-feira, e já passava das 11h.

Minha filha de 3 anos acabou se acostumando aos meus horários. Eu nunca chegava antes das 9h.

Como aquele tinha sido um período de muito trabalho – eu sempre achava que era um período – já faziam alguns dias que eu não chegava a tempo.

Fomos para o quarto para a missão xixi-dente-pijama-cama-história-beijo.

Já exausta, ansiosa para responder uns e-mails, falei:

-  Boa noite meu amor.

Foi então que veio o golpe.

-  Mamãe, eu quero a Val.

Val é Valdirene. A babá.
Meu mundo caiu.

Relutei. Aquele era nosso momento!

Ela abriu um berreiro daqueles de acordar o bairro.

-       shhh… shhh… calma… eu vou chamar ela!

Fui bater na porta da babá, humilhada e impotente.

Quando ela abriu senti tanta vergonha que mal consegui olhar nos olhos dela.

 

Episódio 2: Quer ser perfeita? Pergunte-me como.

E foi assim que minha vida mudou.

Pouco tempo depois pedi demissão e resolvi que, dali por diante, eu seria a mãe perfeita!
Dedicada, presente e amorosa. Não ia ter pra ninguém.

A culpa já não me pertencia. O tempo não faltava mais.
A gente ia brincar todos os dias, fazer bolo de fubá a tarde e ler livros.

Na minha cabeça a imagem já era tão clara que parecia um filme. Eu via minha filha falando baixo, sorrindo tranquilamente, sendo generosa, educada, comendo abobrinha refogada. Era um sonho!

Podia já até sentir a inveja das outras mães perguntando se ela era sempre assim tão tranquila e educada.

Minha pele descansada e devidamente hidratada todas as noites seria ainda mais insuportável para as outras mães, que me olhariam com a mesma inquietude e curiosidade com que assistem a uma entrevista da Gisele Bündchen falando sobre o parto na banheira.

 

Episódio 3: Viajei…

Vieram as férias escolares. Dedicada ao meu projeto Mãe Perfeita, planejei a viagem perfeita. Eu, ela e meu marido 45 dias na Europa.

Ele trabalhando. Nós nos divertindo, conectando, conhecendo, amando e aprendendo a respeitar.

O raciocínio era simples. Tendo todo esse tempo só com ela, vou poder finalmente pôr em prática toda a minha habilidade nata e inteligência emocional. Nada como a mãe por perto para ela se sentir segura e tranquila.

Lá fomos nós.

Primeiros 15 dias: “Vou mandar a Val embora! Para que babá?”

Segundos 15 dias: “Ela tá me testando, mas agora é a hora de mostrar quem manda. Eu sou uma mãe ou um rato?”

Terceiros 15 dias: “Se aquele FDP do meu marido não chegar em 10minutos do trabalho, eu jogo essa menina pela janela”

Não vou nem contar os detalhes macabros do vôo da volta porque não quero desencorajar ninguém a viajar com os filhos. Continuo achando que valeu a pena!

Chego em casa precisando de férias. Mas as cenas que se seguem são dignas de reality show.

Minha doce filhinha de 3 ano tinha se transformado na criança mais mal educada que eu já vi nessa vida. Agora ela gritava, batia e não respeitava mais ninguém.

Ela sambava na cara da autoridade.

Mas como isso aconteceu? Eu li tantos livros… Eu sou boa nisso! Eu converso, ponho de castigo, sou firme, dou bons exemplos.

Onde, meu pai amado? Onde eu errei???

 

Episódio 4: Perfeita idiota

A caminho da manicure, com cutículas ao estilo europeu suplicando por um alicate, liga meu pai. Ele deve ter ouvido meu chamado inconsciente.

Nunca tinha dado muita bola para a opinião dele sobre a educação da minha filha, mas naquela hora eu precisava dividir. Na falta de terapia, era o que tínhamos para o momento.

-       Oi Pai. Tudo bem, chegamos.
-       Que bom, meu amor. Como se comportou a netinha do vovô?
-       Ai pai, foi difícil. No começo ótimo, mas no final ela foi ficando muito mal criada. Não estou aguentando. Juro que estou a beira de um ataque de nervos. Acho que vou leva-la em um psicólogo.
-       Não precisa, meu amor.
-       Não precisa??? Sua neta não me respeita! Eu faço tudo por ela. Dou amor, atenção, coloque limites, sou firme, paciente, carinhosa. Nada adianta! Não sei mais o que fazer.
-       Mas isso vai passar.
-       Vai passar quando? Eu vou ficar aqui de braços cruzados esperando passar?
-       Não, meu amor. Vai passar em alguns dias. Agora que você voltou, que ela vai voltar para escola, e você para a sua vida.
-       Hein?
-       Claro… O que a sua filha tem é excesso de mãe.

Penso em mandar meu pai a merda, mas já estou tão cansada que as palavras não saem da minha boca.

-       Você não percebe o que aconteceu? Sua filha passou a ter a mãe a disposição o tempo todo perguntando se ela estava se divertindo, se tinha fome, se queria ir no banheiro, comprando presentes. Ela foi mimada por você e está se achando no direito de exigir o que quiser.

Começo a me sentir como se tivesse acabado de fazer um comentário ignorante em público.
Sabe aquela sensação de quem fez um erro ridículo e quer sumir?

-       Além do mais, vocês ficaram muito tempo viajando. Foi muito tempo de convivência. Isso desgasta.
-       É…
-       Você deve ter perdido a cabeça várias vezes, certo?
-       É…
-       Ela agora está só imitando as suas reações.
-       Hum…

Desligo o telefone aceitando com serenidade o fato de ser uma imbecil.

Depois que meu pai falou, parecia tão óbvio. Eu exagerei! Menos, Adriana. Menos…

O farol fica verde. Meu rosto relaxa. Aliviada, quase sorrio para o motorista ao lado.

E mais uma vez, minha vida mudou.

A Adriana é mãe da Anita, 3 anos.

355 6 2 0 0 2
CATEGORIAS: Educação, Neurose de Mãe
POSTADO POR: Lu Musa
O Bebê de Rosemary

por Natasha Louckevitch

29 de janeiro de 2013

Sou morena de olhos castanhos.
Meu marido, cabelo e olhos pretos.

Um pouco antes do meu filho nascer, eu estava na farmácia contemplando comprar shampoo de bebê para cabelos escuros e cacheados.

Corta pra sala de parto.

Quando o médico tirou o meu filho de dentro de mim, e colocou ele em cima da minha barriga, antes de qualquer coisa eu fiquei confusa PRA CARALHO e perguntei: “ELE É LOIRO?!?!?!”

Bom, pensei,depois eu me preocupo com isso.

Chora de emoção, beija, cheira, abre a janela, mostra pra família, vai todo mundo “se limpar” e depois nos vemos de novo no quarto. Blablabla.

Quando ele entrou no quarto, voltei a dizer: “Eu não estava alucinando! Ele é loiro mesmo!”

Nem vou comentar ainda o olhão azul porque né, isso muda! Loiro de olho azul não dá!

Então…DEU.

Corta pra quase dois anos depois.
(Ou seja… EU ATÉ SOU TOLERANTE!)

A pergunta que não quer calar: “Nossa, mas de onde sai este cabelo e estes olhos?”

Será que a pessoa entendeu o underline da própria pergunta?

Antes eu respondia calmamente e com um sorriso amarelo: “Então, o pai do meu marido, os meus avós, blablabla”

Quando na verdade, o que eu queria responder era: “PORRA! CONHECE UM CARA CHAMADO GREGOR JOHANN MENDEL? PERGUNTA PRA ELE. E NÃO. ELE NÃO É O PAI DO MEU FILHO, SUA MULA”

Daí, eu comecei a ser um pouco mais ríspida, de verdade.
Respondia: “Nós não falamos sobre isso. É um assunto chato. Pai é quem cria… hahaha, blablabla”.

Mas confesso, com o tempo passando eu ando elaborando um pouco mais e estou quase no:
“Querido/a. : Não sendo negro ou japonês, estou no lucro e consigo embutir. Porque os flashbacks que eu tenho daquela balada, até aonde eu sei, podia ser o bebê de Rosemary!”

TÔ QUASE…

A Nat é mãe do lindo e loiro Alec de 1 ano e 10 meses e tem o blog http://quandoeuvireimae.wordpress.com/

238 2 11 5 0 3
Mais um pito?

por Juliana Mariz

4 de dezembro de 2012

Há algumas semanas,  li o texto da Rosely Sayao no caderno Equilíbrio da Folha de S. Paulo. Falava sobre as dificuldades que pais têm de deixar seu filhos arcarem com suas responsabilidades. Ela deu como exemplo fazer a lição de casa.

Gosto da Rosely Sayão. Acho que ela é a principal porta-voz da maternidade. No entanto ando com a seguinte sensação: “levamos pito novamente, estamos fazendo tudo errado”.

E esse feeling me persegue. Assistindo hoje uma aula para jornalistas sobre marketing digital o professor falou sobre o mal que estamos fazendo em elevar exageradamente a autoestima dos filhos. “Quando o cara chega no mercado de trabalho, é criticado e pede demissão porque foi contrariado”, ele afirmou. De novo tive a sensação: “Ops, estamos fracassando mais uma vez”.

Até quando converso com minha mãe sinto o mesmo. Ela teve quatro filhos, sou a segundona. Pergunto sempre pra ela: “ E aí, mãe, como lidou com isso, teve problemas?”  E a resposta é sempre a mesma, nunca teve problemas, sempre foi tudo fácil. Nunca sentimos ciúmes umas das outras, nunca uma acordou quando a outra chorava de madrugada. Eu olho meio incrédula. Meu marido brinca: “nossa, vocês eram quatro anjos ou quatro toupeiras”.

Daí que fiquei pensando que toda literatura sobre a maternidade não contextualiza as mudanças das novas gerações. Os filhos mudaram. Se até minha profissão está dando uma guinada 360 graus, rodopiando sem saber onde vai parar em função desse “admirável mundo novo”, o que dizer da maneira como lidamos com nossos filhos.

É difícil fazer o filho parar e fazer lição? Não tenho cria nessa fase ainda, mas acho que deve ser tremendamente complicado. Minha mãe não deve ter tido dificuldades, mas naquela época eu não tinha ipad, meus amigos não estavam facilmente acessíveis na internet …. O que quero dizer é que a oferta de diversão, entretenimento, atividades cresceu tremendamente. A nossa abordagem com nossos filhos tem que mudar também. Não defendo, de forma alguma, a filosofia da “criança pode tudo”, mas, sim, a necessidade de discutirmos como as mudanças no mundo influenciaram também na educação dos rebentos.

Quero seguir dicas da minha mãe (ainda meu melhor exemplo e inspiração), da Rosely Sayão e de quem quer que seja. Mas quero que elas sejam atualizadas com os dias de hoje.

137 16 0 0 2 2
CATEGORIAS: Educação, Neurose de Mãe
POSTADO POR: Lu Musa
Up in the Air. Mãe Sem Escalas

por Gica Yabu

21 de novembro de 2012

Há algum tempo fiquei sabendo de um evento muito interessante, que discutiria tendências para o varejo. O dono da agência onde eu trabalhava percebeu que o conteúdo do evento era mesmo relevante e me mandou para lá. Ah, “lá” ficava em Londres. Tudo bem, não fosse o fato de eu estar amamentando um bebê de sete meses.

Mais que passar 5 dias longe do meu bebê, eu teria que desmamá-lo. Na boa? Para a surpresa de todos, Luna amou a mamadeira. Apesar de eu ter ficado um pouco apreensiva, a transição aconteceu sem traumas ou problemas. Agora era só aprender a lidar com a saudade.

Enquanto eu fazia as malas, Luna entrava dentro delas. Cruzei o Atlântico com um soluço atravessado na garganta. Cheguei em Londres com um dia livre para mim. Lembro de ter passado o tempo todo pensando “what the fuck am I doing here?”, invalidando toda a experiência porque Fábio e Luna não estavam lá comigo. Para vocês terem uma idéia, chorei na volta da London Eye todinha. No segundo dia foi menos pior, no terceiro foi só chato, no quarto foi OK e no quinto eu estava feliz da vida porque estava voltando para casa.

Cheguei com a mala cheia de presentes, morrendo de vontade de esmagar minha filha. Ao me ver, ela chorou. Eu chorei. Depois riu e eu ri. Depois chorou, depois riu e ficou rindo e eu também, todos ficamos felizes e o planeta voltou a sua órbita.

Em fevereiro houve outra viagem: 5 dias em NY para outro evento. Dessa vez foi um pouco menos pior. Em julho, 4 dias em Londres outra vez. Luna já estava maiorzinha e conseguíamos trocar umas palavrinhas no Skype. Em outubro, uma semana em NY. Nunca havia passado uma semana longe e dessa vez doeu BEM. Quando voltei, ouvi um delicioso “mamáen tchegou!” acompanhado de um abraço. Aí eu chorei, gente. Pra falar a verdade, estou chorando agora só de lembrar.

Quando recebi o convite para participar do Fly Garage, fiquei lisonjeada. A oportunidade era única, a missão, sensacional. Mas o preço era alto: 10 dias longe, em BsAs. Enquanto escrevo esse post, estou a 3 dias de voltar para casa, já sentindo os efeitos colaterais físicos da saudade. Acabei me dando um night spa de presente para compensar a tristeza e celebrar esse momento de solidão (a gente não está sempre reclamando que não tem tempo para nada?). Comprei sais de banho, creminhos, esfoliantes, loções, tônicos, e tais. Foi revigorante, eu juro!

Toda vez que a Luna me vê no Skype, a primeira coisa que diz é “Atchô mamáen!”, feliz. Percebo que ela já usa mais palavras e compõe melhor as frases. Me conta do novo amigo, o penico, fala sobre as calcinhas de princesa que ganhou da avó e que não quer mais usar fraldas. Sim, ela está crescendo lá enquanto eu estou aqui.

Nesse momento, eu faço uma escolha que tem o poder de mudar toda a experiência. Decido não encanar com isso. Decido não me sentir péssima. Decido não me sentir uma mãe ruim por não estar lá 100% do tempo. Decido ficar feliz por perceber o desenvolvimento da minha filha e ver o quão feliz ela está com suas conquistas. Decido equilibrar melhor meu tempo e prometo para mim mesma que a próxima viagem a trabalho só vem em fevereiro. Decido que até lá vamos ficar colados o tempo inteiro, inclusive viajando nas férias. Decido ser feliz com a vida que escolhi para mim: a de mãe que trabalha, que educa sua filha e continua a evoluir na carreira, que curte seu marido e ainda dá um jeito de achar tempo para ensaiar a produção do próximo herdeiro.

A Gica é mãe da Luna e escreve um blog delicioso vai lá  www.verdevelma.com.br

mais posts sobre mães que viajam aqui

78 0 0 0 0 1
CATEGORIAS: Neurose de Mãe
POSTADO POR: Lu Musa
Quando Menos é Mais

por Clarisse Biazzi Lu Santos

13 de novembro de 2012

Esses dias ouvi a frase: posso fazer cirurgia de redução de expectativas?

Amei. Acho que toda grávida deveria fazer.

Teria me feito um bem enorme.

Com 12 anos perguntei, na minha 1a consulta no gineco, se poderia ter filhos.

Com 32, estava sentada no consultorio do médico de fertilização discutindo alternativas para engravidar.

Durante a gestação, tinha um plano de parto traçado, CD do Yoyo Ma gravado, tudo para o meu parto normal e humanizado ser perfeito.

E Maya fez o mecônio e tive uma cesárea de emergência.

Sempre quis amamentar por muito tempo, invejava secretamente aquelas sortudas cheias de leite que amamentavam o bebê até os 2 anos.

Tive uma mega mastite super atipica e só consegui amamentá-la por 3 meses.

Naturalmente os “tombos do cavalo” foram altos, acompanhando as também elevadas expectativas. E após cada queda vinha o medo: será que minha filha vai ser insegura por ter chegado ao mundo numa cesárea de emergiência? Será que ela vai ficar mais doentinha porque amamentei pouco? Será que ela nao vai se apegar a mim?

Bom…a real é que a bichinha tem a auto estima lá em cima, é super segura (pra não dizer metidinha), nunca fica doentinha e é um grude só comigo.

Enfim, nao quero pregar o pessimismo, até porque eu nasci com o chip do otimismo; mas acho que a cirurgia de redução de expectativa teria me poupado muitas horas de choro e ansiedade.

Porque no final do dia, quando a intenção é boa, as coisas dão certo. Mesmo que por caminhos diferentes.

A Clarisse é mãe da Maya, 1 ano.

100 11 1 0 0 0
Maternidadae e o “overthinking” dos dias de hoje

por Juliana Nunes

8 de novembro de 2012

 

Me desculpem as mães que vão vestir a carapuça, mas este não é um post de ataque e eu não quero interferir na sua vida, na sua família, no seu bebê. Eu só quero entender porque é tão complicado criar um filho nos dias de hoje.

Quando eu vejo uma grávida com 8 semanas de gestação correndo, alucinadamente, atrás de uma enfermeira pra cuidar do seu recém nascido, eu tenho muita vontade de desapontá-la e dizer que o filho dela fará exatamente as mesmas coisas que o meu filho, que o filho da empregada, da Lady Di, da Madonna. Ele vai acordar, mamar, arrotar, fazer cocô, fazer xixi, dormir, acordar, mamar, arrotar….

Nada mais que isso.

Ele não vai sufocar no berço, engasgar no arroto, parar de respirar, se afogar na banheira. Salvo em raras exceções, como no caso de bebê com problema de saúde, prematuros, de gêmeos, trigêmeos, quadrigêmeos, não consigo entender o que faz uma enfermeira dentro de uma casa com pessoas saudáveis. Uma babá não daria conta?

Ok, você que tem enfermeira vai dizer que eu sou recalcada, que isso é inveja de pobre que precisa usar três mil reais em outras coisas, mas o fato é que só soube que enfermeira não era exclusividade de hospitais e doentes depois que entrei no universo materno.

E a mamadeira, pode, não pode, pode até quando?

A chupeta, quando tem que tirar?

Eu sou do tempo em que se dava a chupeta pro Papai Noel, no dia seguinte chorava até conseguir outra e esta saga durava uns 5 Natais. Agora tem que tirar a chupeta logo pra não ter filhos estranhos no futuro.

Por favor, são só crianças.

Casos de adultos que chupam chupeta são raros, imagino. Espero que sejam raríssimos. Oh, mas e se meu filho ficar dentuço, doutor?

Até o coitado do cueiro entra na pauta das mães do século XXI.

Nem o direito de chamar cueiro mais ele tem, é swaddle. E causa sérios danos ao bebê, comparável a dormir de bruços, de lado, de barriga pra cima.

Eu já nem sei mais como um bebê tem que dormir.

Minha vó dormia de barriga pra baixo, minha mãe de lado, minha vizinha de bruços, meu filho de lado nos primeiros meses, depois os pediatras descobriram que tem que ser de barriga pra cima de novo. Se for de lado, tem que ser um pouco pro lado de cá, um pouco pro lado de lá, pra cabeça não ficar torta (???). Que confuso, ai, fiquei zonza.

O recém nascido só quer dormir sossegado. Além de sugar e chorar, isso é a única coisa que ele sabe fazer.

Depois de seguir todas as normas, regras, ler todos os livros, manuais, a mãe não pode esquecer que tem que estar sempre feliz se quiser um filho feliz.

Mãe só sorri, mãe não chora, não briga com o marido, não discute com o síndico, não tem aqueles dias que quer jogar tudo pro alto e sumir. Mãe também não bebe, não fuma, não come bacon.

Mãe só pode mostrar ao filho como a vida é esplêndida e incrível, que ela é uma felizarda que ganhou o direito a maternidade e de dar continuidade ao mundo, sob a pena de criar um ser humano problemático, complexado e com todos os tipos e subtipos de compulsões.

Valha-me Deus, como é difícil.

Por que a gente não cria bebês como bebês e crianças como crianças?

Sem manual, sem teorias, sem tantas dúvidas, sem complicar tanto?

Será que a gente consegue relaxar? :/

A Juliana é mãe do Levi, 2 anos

129 7 2 0 0 2
CATEGORIAS: Educação, Neurose de Mãe
POSTADO POR: Lu Musa
E quem precisa de príncipe encantado?

por Isabel Masagão

5 de novembro de 2012

Quando eu tinha uns 3, 4 anos de idade as pessoas me perguntavam  “O que você quer ser quando crescer” e a minha resposta era “mãe”.

“Não… o que você quer ser, como profissão”, eles insistiam.

“MÃE”. Era minha resposta de novo.

Depois de algumas vezes respondendo a mesma coisa, eu falava: “tá bom, quero ser professora”, numa tentativa de parar o questionamento.

Como a maioria das mulheres, eu cresci esperando “um príncipe num cavalo branco”, e com esse príncipe construir a família dos meus sonhos.

Nem tudo acontece do jeito que sonhamos e o meu grande sonho se realizou, só que de um jeito diferente.  E eu sou muito grata a ele.

Era fim de 2010 e eu estava vivendo numa cidadezinha chamada Hershey no interior da Pensilvânia. Eu estava morando lá há 4 anos, trabalhando pra Hershey (empresa de chocolate) e tive uma ótima experiência.  Naquela época eu estava namorando com o Kirk, um homem bacana com quem eu me relacionei por quase 1 ano.

O Kirk é um pai dedicado de 2 meninas, uma pessoa inteligente e com um coração maravilhoso; mas de alguma forma eu sentia que não era ele… e que devia voltar pra casa.

Então, após pensar muito, decidi que estava na hora de voltar pro Brasil.

Era hora de voltar e ficar perto da minha família e meus amigos. Achei que não valia a pena morar tão longe de todos só por causa de trabalho. Eu não queria olhar pra trás um dia e me arrepender de ter passado 10, 15 anos nos USA e potencialmente ter perdido pessoas e momentos que eram mais valiosas pra mim.

Então eu fechei tudo por lá: sai da empresa Hershey após 8 anos, recusei uma super proposta de trabalho  na Visa em São Francisco, terminei meu relacionamento e voltei, com a certeza de que era a decisão certa. Eu senti que deveria seguir o flow e confiar…

Em 18 de Janeiro de 2011 eu desembarquei em São Paulo.  Cheguei, passei um tempo curtindo a família, re -encontrei grandes amigos, comecei a fazer várias entrevistas de trabalho e estava curtindo meu recém adquirido tempo livre.

Depois de algum tempo num spa (afinal foram 8 anos de Hershey sendo 4 no US e vários quilinhos adquiridos….)…e algumas semanas aqui….descobri que estava grávida !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Eu confesso que fiquei assustada no começo. Sim, era o meu maior sonho, mas eu não esperava realizá-lo sozinha.

Mas quando eu literalmente vi e senti aquela “vidinha” dentro de mim….meu coração bateu mais forte e eu sabia que Deus estava me dando o presente da minha vida.

E sim, o pai é o Kirk.

É claro que não foi fácil pra nenhum de nós dois…. Ele lá e eu aqui…tantas incertezas pela frente.

No começo tive umas neuras com medo dele vir aqui buscar o bebê (vocês lembram da história do menininho do RJ né…) mas conversei com algumas pessoas e me tranquilizei pois a história era muito diferente. Nós 2 conversamos e acordamos que independente da situação, nós manteríamos sempre um ótimo relacionamento, pelo bem do bebê. No final das contas, ele tinha pais maravilhosos e isso é o que importa. Eu realmente espero e acredito que nós vamos conseguir manter uma amizade e parceria pra sempre, pela felicidade do Thomas.

E o trabalho, o que aconteceu…

Como mencionei, assim que cheguei comecei a fazer várias entrevistas. Unilever (uma das empresas que sempre quis trabalhar) me fez uma oferta de trabalho. Foi no meio da negociação que descobri que estava grávida.  Só Deus sabe o que senti….Imagine você estar grávida sozinha e  potencialmente ficar desempregada… Confesso que tive medo.

Fui muito transparente e sincera. Eu literalmente sentei na frente do VP e abri o coração: contei a história, disse que sabia ser uma situação delicada e que eles se sentissem a vontade pra fazer o que fosse melhor. Nossa, que alívio quando ele me ligou e disse: “nós estamos contratando você por long term e não por 6 meses e além disso buscamos talento e não disponibilidade. Seu processo de contratação continua o mesmo”.  Wow….que alivio, mais uma batalha ganha.

Assim no dia 21 de fevereiro de 2011 eu comecei na Unilever Brasil na aréa de Marketing de sorvetes. Que benção !!!

A gravidez foi razoavelmente tranquila….eu amava estar grávida. Mas por outro lado foi difícil….você está sozinha e não sabe ao certo o que está por vir. Várias vezes eu senti medo mas eu rezava e no fundo sabia que tudo correria bem. Eu mantive o Kirk informado de tudo durante toda a gravidez. Eu acho que ele se sentia triste pois não sabia ao certo como seria sua relação com esse filho, mesmo comigo dizendo que ele sempre faria parte da vida dele.

Nos primeiros 4-5 meses eu estava morando com os meus pais, esperando meu container chegar dos US. Eles me mimaram muito nesse período e sou muito grata a isso.

Noo dia 21 de setembro de 2011 foi o dia mais importante da minha vida. Foi muito especial…o nascimento do meu tão sonhado filho.

Meu sonho de tantos anos finalmente se tornando realidade.

Foi especial também pois o meu querido pai entrou comigo na sala de cirurgia (cesárea)para me ajudar naquele momento tão importante. Minha família estava lá: mãe, irmã (que veio dos US), irmão e todos assistiram da janelinha da sala. Eu nunca vou esquecer o que senti quando ouvi seu chorinho, vi sua carinha pela 1ª vez ou quando eles  trouxeram pro meu quarto…..Fico com lágrimas nos olhos só de lembrar.

Era meu primeiro filho, o primeiro sobrinho, primeiro neto…um verdadeiro anjinho chegando na família Masagão. Emoção geral.  O papai Kirk veio ao Brasil conhece-lo depois de poucas semanas do seu nascimento e também ficou muito feliz e emocionado com a sua chegada.

Deus nos enviou esse precioso presente e sou muito grata a ele. Ele sabia que eu poderia dar conta do recado e que seria uma benção pra família toda. Todos babam até hoje.

Agora ele fez 1 ano.  E só eu sei como foi esse ano… quanta alegria, emoção e porque não dizer medo também. Acredito que o 1º ano deve ser muito celebrado pois só quem é mãe sabe o que é o 1º ano de um filho. E mãe sozinha então…nem se fale : )

E a vida continua! E se por acaso o tal “príncipe no cavalo branco” chegar eu estou pronta pra dar ao Thomas um irmãozinho ou irmãzinha porque a maternidade é muito mágica pra ser vivida apenas uma vez.

Isabel Masagão é mãe do fofo Thomas, 1 ano.

72 0 0 0 0 0
A arte das papinhas

por Juliana Nunes

24 de outubro de 2012

Um dia você acorda e vê que seu filho, aquele que nasceu outro dia, já é grandinho e vai começar a comer.

E você se dá conta também que não sabe cozinhar nem ovo.

Quer dizer, você pode até saber cozinhar, mas eu não sabia. E também não tinha quem fizesse pra mim, então a solução foi digitar no google “papinha” e correr pro abraço.

Achei que fosse fácil reproduzir toda aquela alquimia gastronômica: arroz, espinafre, cenoura, carne, chuchu, batata… Tendo alimentos desse tipo, uma panela, uns temperinhos e um liquidificador, o assunto estaria resolvido.

Corri pro supermercado na esperança de encontrar tudo, passei na lojinha pra comprar potinhos de congelar e quando cheguei em casa, lógico que daria tudo certo.

Qual o segredo de enfiar tudo na panela, cozinhar e  bater?

Calma, volta tudo.

O que é uma abóbora e o que é uma abobrinha? Pra que serve o chuchu na vida de um ser humano? E a cara do rapaz do mercado, que também não sabia a diferença de um inhame para um cará? E a minha, por ter que perguntar?

A diferença de mandioca para mandioquinha eu tirei de letra, mas o resto…. fez desandar toda a receita de felicidade que eu tinha criado na minha cabeça.

O que ia acontecer com meu filho? Como ele ia sobreviver com uma mãe tão incompetente na cozinha?

Bom, ele precisava comer e eu precisava cozinhar. A única solução, além de contar com a ajuda preciosa da minha mãe, foi aprender na raça. Eu fazia e ia experimentando: isso tá bom, isso tá ruim e se eu não gostei ele também não vai gostar, e assim foi indo.

Tudo parece difícil no começo e as dúvidas que você nem imaginava que existiam ficam martelando na sua cabeça: será que tem que ser com a panela tampada, meio tampada ou aberta? E o sal, que tanto falam mal? Como congela isso, como descongela?

O mundo interessado na crise da Europa e você, parada na cozinha, olhando pro fogão.

Claro que, no começo,meu filho cuspia tudo. O seu, se você ainda não chegou nessa fase, vai cuspir as primeiras papinhas também. Não chore, não jogue o prato longe, não desista. Uma hora vai dar certo, ou porque ele tá com muita fome ou porque ele aprende que precisa comer.

Não são todas as mães que precisam cozinhar. Mas todas as mães precisam passar por desafios diários. Se não for a papinha, vai ser outra coisa.

Na verdade, tudo que a gente quer é que nosso filho seja bem cuidado, feliz, saudável e que, no fim do dia, a gente fale: hoje deu tudo certo, ufa.

Juliana Nunes é mãe do fofo Levi de 1 ano e 8 meses.

se gostou deste post, veja outros sobre papinha e algumas receitas aqui

36 8 3 0 0 1
CATEGORIAS: Alimentação
POSTADO POR: Lu Musa